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Patuscada

A cozinhar enquanto conto umas histórias e mando umas larachas que não são bem histórias.

Patuscada

A cozinhar enquanto conto umas histórias e mando umas larachas que não são bem histórias.

Cantinho do Avillez - Porto # Restaurantes

por Renato, em 24.03.15

Em primeiro lugar, um pedido de desculpas pela quantidade de fotografias aqui presentes: só me lembrei depois de umas garfadas que poderia fazer um post sobre isto - aquilo que inspira qualquer um a tentar fazer igual - e porque não sou do tipo de pessoa que tira fotografias á comida nos restaurantes - mas que vai começar a tirar por gostar de falar daquilo que come.
Já havia algum tempo que havia um desejo meu em ir a um dos restaurantes do Chef José Avillez, algo que nunca se tinha proporcionado até ontem. Ainda não consigo ter poder de compra suficiente para ir a um Belcanto… portanto tive que ir a uma gama diferente, sendo que se dissesse “gama baixa do Avillez” estaria a ser injusto. Foi na cidade do Porto que fiz esta primeira incursão pelo Cantinho do Avillez, pela cozinha de um Chef de cozinha que, a meu ver, vai tentando recriar com muito boa qualidade aquilo que é a cozinha tradicional portuguesa.
Éramos dois e fomos ao almoço; havia um menu de almoço que com 12.50€ incluía 1 couvert e 1 prato de entre uns 5 ou 6 á escolha - Bacalhau á Brás com azeitonas explosivas mais umas cenas, Alheira frita com tomate confitado com outras coisas apetitosas lá enfiadas e um Polvo com bastante saída e ótimo bom aspeto. Já de pratos principais á carta havia uma vitela de comer á colher, um bacalhau com migas ou até hambúrguer, mas eu encantei-me por outra coisa.
De entrada, veio logo o couvert com 3 tipos de pães diferentes, um molho laranja que me parecia de tomate adocicado ótimo para quem não gosta da acidez do tomate e um molho de trufas – acho eu - que soube a pouco; depois foi-nos sugerido Peixinhos da Horta com molho tártaro que assentimos de peito cheio e comemo-los com um sentimento meio indiscritível de “já acabou?”. Rapidamente chegou o momento dos pratos principais e aí se viu o respeito pelo produto que ali de vive: um produto simples tratado com cuidado e com dignidade. Num simples Wrap de Atum ou num Risotto de Cogumelos Portobello, tudo se sentia e se respeitava; todos os produtos, por muitos ou poucos que fossem, todos davam espaço uns aos outros e juntos eram qualquer coisa (!); ali tudo bateu certo e ainda hoje não percebo bem a razão.

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Até o Toucinho-do-céu com sorvete de framboesa ou o Cheesecake enfrascado com framboesas e manjericão da sobremesa bateu certo com tudo o resto que se comeu antes e ainda com o vinho tinto do próprio José Avillez – JA – que foi acompanhando a refeição.

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Já era fã e já estava desconfiado que iria gostar de uma experiência do género; está mais que constatado. Se é um restaurante ao alcance de todos os bolsos? Da grande maioria talvez não, no entanto, vale a pena, nem que seja uma vez por mês, ter um jantar ou um almoço destes num Cantinho que se mostra bastante amigável e aconchegante para festejar qualquer momento feliz da vidinha.

Se lá forem, bom proveito!

Comida de Sobrevivência

por Renato, em 15.03.15

(Leiam a próxima frase como se estivessem a narrar um documentário em Português do Brasil) A preguiça é um animal que ataca o ser humano com 2 ou 3 dentadas e as estatísticas dizem que é algo que faz com frequência; após ataque, o ser humano fica sem motivação para fazer qualquer coisa, apesar de ter todas as capacidades para o fazer.

Hoje, venho dissertar um bocado sobre comida de sobrevivência… Comida de quem chega a casa e só lhe apetece refastelar no sofá depois do trabalho, depois da escola ou de qualquer outro sítio que deixe a cabeça em água. Esta dissertação é mesmo muito pequena uma vez que, apesar de ter todas as capacidades mentais comigo, a preguiça foi mais forte e sinto-me um paquiderme que poderia ficar dentro de água ou ao sol, bem quieto, a olhar para nada durante horas.

Eu próprio nunca estive a estudar fora de casa, no entanto, alguns colegas que fui tendo ao longo do percurso académico falavam da massa de atum como um autêntico Kit de Sobrevivência. Hoje em dia, sou eu que trabalho fora e longe da casa que ao longo da vida me deu excelentes refeições, ou seja, também eu fui criando um Kit destes.

As coisas que costumam parar cá por casa em dias destes são a Massa de Atum (ainda bem que existes, atum enlatado!) e a Tortilha (Ovos, vocês são os maiores!)

Massa de Atum

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Em azeite juntei chouriço (mas poderia ter juntado um bacon ou um presunto que estivesse cá por casa), meio pimento vermelho e aipo bem picado; juntei cogumelos enlatados  e atum; meio pacote de natas e parte do caldo de cozedura da massa; deixei ferver uns 2 minutos, juntei a massa e isto tudo demorou 15 minutos a fazer.

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Comi que nem uma bisarma.

Tortilha da Casa

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Cortei meia batata em cubos pequenos e foram a fritar num fio de azeite na frigideira onde será feita a tortilha; enquanto isso acontecia, bati 3 ovos e juntei meia cebola rocha picada, presunto, salsa picada, queijo parmesão ralado, sal e pimenta; juntei às batatas que já estavam na frigideira e lume brando. A partir daqui é fazer como se fosse uma omelete, sem a enrolar no final.

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Bom domingo e não deixei que a preguiça por persiga! ;)

Algarve de Primavera, Outono e Inverno

por Renato, em 08.03.15

O Algarve que aqui vos quero mostrar hoje é um Algarve fora dos meses de Verão. Este Algarve de Primavera, Outono e Inverno é o Algarve que me agrada. Não sou de cá, mas vivo neste Algarve todo o ano e tenho algumas boas razões para isso, sendo que algumas delas estarão neste post.

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"Vou passar 2 semanas no Algarve", dizem uns, quando na verdade vão para Monte Gordo.

"Vou passar um fim de semana prolongado ao Algarve", dizem outros, quando na verdade vão para Lagos.

Fala-se do Algarve como se fosse uma grande cidade cheia de praia, céu azul, sol, toldos e bolas de Berlim, no entanto, garanto-vos que se o Algarve fosse só isso eu não estaria aqui a escrever-vos este post (se bem que as bolas de Berlim de alfarroba que comi na Praia da Falésia no verão passado também contribuíram para que me fosse habituando a isto). Acontece que de Monte Gordo a Lagos são 140 Km, sendo que, se quiserem ir até Sagres ainda terão que viajar mais 30 Km. Portanto, se se quiserem referir ao Algarve enquanto uma cidade, refiram-se a ele como sendo uma daquelas grande, grande, grande, mas mesmo grande. A verdade é que aqui em baixo há um Algarve com uma grande costa, mas, também há um Algarve com um grande interior.

Não sou apaixonado por praia, mas gosto de paisagens que me façam parar, sentar e pensar um bocado; o Algarve interior dá paisagens fortes e de fácil ligação emocional; o Algarve interior dá paisagens de altos e baixos de perder de vista; o Algarve interior oferece, em alguns sítios, até a vista do mar. Há quem lhe chame o Algarve escondido, mas não percebo a razão... Está à mostra para quem o quiser ver e para quem tiver paciência para lhe seguir os trilhos.

Temos uma Fonte Férrea e uma dezenas de miradouros em São Brás de Alportel; temos Estoi com um palácio digno de se perder uma tarde na sua esplanada; temos uma piscina natural numa aldeira chamada Alte, pertencente ao conselho de Loulé, com outro património também digno de se ver; temos os trilhos da Serra do Caldeirão e do Monchique para caminhar e remarcar.

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Este é o Algarve que dá graça e aquele que é de fácil alcance nos outros meses que não no Verão. Sim, claro que a praia também está e é bom visitar a praia na Primavera, Outono ou Inverno, mas dessa estou eu fartinho.

Hoje apeteceu-me fazer qualquer coisa relacionada com o Algarve, algo que concluí que seria fácil. É normal vermos por todo o Algarve dezenas (mas bota dezenas nisto) de amendoeiras em flor de há um mês para cá. Juntando o branco e cor-de-rosa das amendoeiras em flor com o verde já mais ou menos cativante do Algarve, isto começa-se a tornar cada vez mais engraçado. Conta-se por aí uma lenda de que milhares de amendoeiras em flor foram mandadas plantar por um príncipe Mouro para trazer felicidade à sua princesa; pelos vistos, a jovem nórdica estava como saudades dos campos cobertos de neve da sua terra natal.

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Também por esta altura começam a aparecer os morangos à venda, mas penso que ainda não são Portugueses e sim do Sul de Espanha. De qualquer forma, também os Algarvios são uns bons produtores de morango e eles andam aí! Hoje, foi também este fruto digno de Versalhes que decidi usar para uma sobremesa.

Aqui segue a sobremesa do jantar de ontem.

Gelado de Morango

Bati 400 ml de natas mantidas no frio antes de as abrir; juntei 1 lata de leite condensado magro e envolvi tudo; juntei uma folha de gelatina hidratada; juntei sumo de lima; juntei polpa de 300 g de morangos e mexi tudo outra vez. O melhor é, de vez em quando (em cada 2 horas, p.e.), retirar-se a mistura do congelador e mexer novamente.

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Tarte de Amêndoa

Base

150 g de açúcar amarelo + 150 g de farinha branca + 1 colher de chá de fermento + 100 g de margarina + 2 ovos

Mexi tudo até ficar tudo uniforme; coloquei na forma e foi ao forno a 180º.

Cobertura

Num tacho em lume brando juntei 100 g de açúcar amarelo + 100 g de manteiga + 150 g de amêndoa laminada + 10 colheres de sopa de leite de soja.

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Quando retirei a massa já cozida do forno, piquei-a e coloquei a cobertura por cima; foi novamente ao forno a 200º só para tostar a parte de cima.

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 Juntando as duas coisas deu nisto.

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 Bom domingo!

De Londres para Portugal com muito (mas mesmo muito) amor

por Renato, em 01.03.15

Começo por vos dizer que foi uma viagem curta demais. Apesar de ter ficado 3 dias a dormir em casa de amigos que residem numa cidade chamada Stevenage, dois dias foram passados em Londres e um dia em Cambridge.

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Tanto num sítio como noutro, não estava à espera de ver coisas que me enriquecessem gastronomicamente, no entanto, não sei se por estar demasiadamente focado em comida, encontro sempre qualquer coisa que me faz dizer "Até me habituava bem a isto.".

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Londres: cidade compacta e movimentada q.b. onde, a pé, se vão virando esquinas e encontrando coisas que nos fazem ficar a olhar para cima e para baixo de beiços caídos. Quando pensava que era hora para descansar e parar num dos muitos Starbucks, Costa Café ou Pret a Manget, Londres punha à frente dos meus olhos cada pedaço da sua história de monarquia e não só. Há demasiado para ver, mas em Londres o Metro é amigo e coloca-nos em cada sítio que pretendemos visitar. Há uma Camden Town que não vos sei descrever porque tem que ser experimentada; há uma Portobello Road com o seu mercado de bancas cheias de bugigangas, livros e máquinas fotográficas antigas - barato(a)s! -, e bancas com todas e mais algumas espécies de cogumelos.

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Em Londres há uma Chinatown cheia de cor e animada também talvez pela minha visita coincidir com o início do novo ano Chinês; assim como também há  por todo o lado uma mistura de cheiros a waffles de chocolate, hambúrgueres, batatas fritas ou café, sendo algo difícil decidir o que se quer comer em momento de buraco no estômago.

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Obviamente que, como bom londrino que estava a tentar ser, um dos dias fomos a um dos muitos Wasabi buscar Sushi e Caril verde com Noodles para comer num qualquer jardim ali perto… Eles têm esta prática e eu habituava-me bem a isso também.

Ainda em Londres, em plena Piccadilly Circus, fomos à movimentada St. James Tavern onde me alambazei com um bom prato de Fish n' Chips e uma grande, mas mesmo grande, Guinness.

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À minha volta, havia pessoas a comer mais fish n' chips, burritos e outras coisas acompanhadas de ervilhas e batatas fritas. Apesar da Inglaterra até ter alguns pratos típicos, nota-se uma grande influência mexicana ou indiana em alguns pratos que vão apresentando. A verdade é que, num sítio como este, não há cá desculpas para esquisitinhos: encontram comida japonesa, mexicana, asiática, indiana e até Portuguesa num sítio chamado Nando's que pertence a um suposto Português e que vende frango no churrasco à moda daqui. Restaurantes Nando's e restaurantes com outras influências encontram-se multiplicados por 3 em cada rua por onde de passa e onde se pode comer bem com 10 a 15 libras por pessoa.

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Uma última nota relacionada com Cambridge, por onde também passei um dia e onde descobri algo que não conhecia. First things first: a cidade de Cambridge é ligeiramente diferente de Londres, valendo igualmente a visita. Cidade universitária com muita gente jovem a tentar fazer pela vida e juntar dinheiro ao andarem pela rua a oferecer visitas guiadas por Cambridge através de pequenos barcos que vão passando pelos campus de cada uma das universidades - punting; cidade menos movimentada que Londres e com casas habitacionais - daquelas que estão a imaginar e que eu só sei descrever como casas rasas, com o máximo de 2 andares, em tijolo e quase sempre de tom castanho - que afinal são escolas. Foi, então, em Cambridge que descobri o Fudge que me foi apresentado às fatias e em vários sabores: dois deles, chocolate e manteiga de amendoim. Para quem gosta de doce - mas botem doce nisto – vai gostar do Fudge; quem se autodenomina de "guloso" é possível que uma dentada saiba a pouco, dado que é coisa para se derreter na boca assim que cá entra.

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A receite que hoje aqui público é uma receita de Fish n' Chips por 2 razões: (1) porque o Fish n' Chips que comi na St. James Tavern era, necessariamente, uma coisa que tinha que repetir; (2) tenho uma ligação sentimental e emocional com peixe frito com arroz de tomate por causa das minhas idas ao Alentejo visitar os meus avós. Assim sendo, aqui vai aquilo que foi o jantar de Sábado à noite...

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Puré de Ervilhas

Cozi ervilhas com 2 pés de salsa e raspa de limão; escorri tudo e coloquei as ervilhas no copo da varinha mágica; juntei 30 g de manteiga; juntei leite (mas não muito!); sal, pimenta e noz-moscada; triturei tudo e fui pondo mais leite de acordo com a consistência de puré que queria.

Batatas Fritas

Nada que saber, eu fiz com batata-doce e fritei 2 vezes para ficarem mais estaladiças.

Peixe Frito

Seis medalhões de pescada temperados com sal e pimenta; passei-os por farinha, passei pelo ovo e passei novamente por farinha onde juntei também salsa picada; fritei em azeite.

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Tal como Fish n’ Chips, também Inglaterra é sítio para repetir, não por querer comer mais, mas porque parece haver sempre qualquer coisa para ver ou para fazer de forma repetida. Enquanto isso não acontece, contentemo-nos por outras vias.

Bom Domingo!

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